Mensagem

Zé do Barco, 18/08/2023.

"Nesse momento em que fazemos, nessa roda, as mãos se unirem em sinal de fraternidade e de irmandade, a espiritualidade maior conhece o que cada um de nós tem a dar de melhor de si, conhece o que nos trouxe até aqui e sabe até que ponto pode contar com a gente. Nós temos a alegria — e temos que agradecer — por termos irmãos ao nosso lado. E, não importando se não fazem parte da nossa família de sangue, em algum momento podem ter sido nossos irmãos em vidas passadas e, hoje, estão aqui, nesta existência, nos dando a mão e trazendo de volta essa irmandade do passado.

Que a gente possa, então, estar ao lado de cada irmão e irmã que pertence à espiritualidade maior, que nos acompanham e nos oportunizam com a caridade ao próximo, com o amor ao próximo, com a cura dos males físicos e espirituais. Que nós possamos entender que todos nós viemos ao mundo como uma carta escrita por nós mesmos, de próprio punho — como uma carta náutica — que vai levar o nosso navio, a nossa barca, para algum lugar. E, quando nós aqui chegamos, com essa carta náutica na mão, nós não sabemos para que lado essa carta vai nos levar, porque aquele que é o verdadeiro condutor do nosso navio, da nossa barca, nos tirou a lembrança de propósito.

E mesmo assim — ainda assim, sem lembrar — através do livre-arbítrio, nós interferimos nessa carta náutica e acabamos, às vezes, conduzindo nossa barca por lugares não muito bons. E lá nos deparamos com os nossos cobradores, com os piratas, com aqueles que vêm nos saquear: nos saquear a honra, nos saquear a inteligência, nos saquear a saúde física, nos saquear a saúde mental.

Mas é aí, quando nós lembramos que o grande capitão dessa barca, desse navio, é o nosso Pai Maior, que, através de Jesus, nos conduz, nós voltamos novamente para a nossa rota. E a nossa carta náutica segue. E ela vai seguindo, e ela vai seguindo, e a gente vai percorrendo todos os lugares, passando por tempestades, turbulências. Às vezes a gente pensa que nosso barco vai virar, que nosso navio vai afundar... E, daqui a pouco, a mesma mão que fez ele tremer, levanta. Levanta ele, traz ele de volta, até que chega um dia em que realmente o nosso barco vai tombar, e lá nós iremos voltar para o mundo espiritual de onde viemos.

E, de onde viemos, não trouxemos nada a não ser nós mesmos, nossa consciência e nossa carta náutica na mão.
E, quando nós voltarmos... ah, voltaremos sim, carregando muitas riquezas — mas também, no porão do nosso barco, carregando muitas mazelas.

E assim, quando a gente retorna, terminamos a nossa viagem, concluímos a nossa jornada, concluímos a nossa carta náutica. Aí é a hora em que o dono da barca vai abri-la, tirar cada um de nós lá de dentro — cada um com a sua barca — e vai contabilizar o que está no porão e o que está na superfície: todos os tesouros que deixamos na superfície, bem perto do nosso pé e da nossa mão, onde o nosso pé e nossa mão conseguem alcançar, e onde, hoje, nosso coração, nossa mente, conseguem explicar e entender. Lá estão os nossos tesouros.

E assim, ele vai computando o que colhemos ao longo da nossa jornada. E, depois de fazer tudo isso, ele ainda nos dá o direito do descanso. Mas, logo em seguida, nos dá uma nova carta e um novo barco. E assim vamos.

Que cada um que está aqui possa entender que, por mais que você pense que controla tudo, por mais que você queira desviar da rota, de alguma forma o capitão desse barco — do barco da sua vida — vai te trazer de volta para a rota que você mesmo traçou. E, se você traçou uma rota em que há mais tempestade do que calmaria, é preciso acreditar que foi da permissão d’Ele que você teve o direito de descer a esse plano terreno e fazer da sua jornada uma verdadeira aventura.

E saibam mais ainda: o dono dessas barcas, das nossas vidas — que é o Criador de todas as criaturas — conhece o que cada um dá conta de transportar, o que cada um ia recolher ao longo da sua jornada, onde vai sucumbir essa carta náutica. Ele sabe de tudo. Então, não tem como fugir. Essa é a grande verdade.

Então, enquanto estiverem vivos, enquanto tiverem vida material, enquanto estiverem assentados em um corpo físico e mental, aproveitem a viagem. Aproveitem também o descanso ao longo da viagem. Às vezes é necessário parar de remar. E, se você, muito aflitamente, colocou um motor no seu barco, é hora de desligá-lo e deixar que ele seja conduzido pelas velas. Muito marinheiro já foi socorrido simplesmente por ter feito isso. Não se luta contra a maré — e nem, muito menos, contra a tempestade.

E, como todo bom marinheiro, ele é forjado não no tempo da calmaria, mas no tempo da tempestade. Então, lembrem bem: conduzam, sim, o barco — mas o condutor maior de todos os barcos, de todas as barcas, de todas as vidas e existências — é Aquele que as criou.

Salve Deus! Salve a Linha dos Marinheiros."

Mensagem canalizada no dia 18 de agosto de 2023, por Mãe Vera D’Ogum Ifàbùkólà Tóbi - Guia Marinheiro, Sr. Zé do Barco | Fraternidade Cristã Vovó Maria Conga